Notas de Aula

Há uma síntese possível entre holismo e atomismo?

O holismo defende a tese de que toda determinação (qualquer qualidade atribuída ou atribuível a algo), no pensamento ou no pensável em geral (no ser), supõe relação.

O atomismo, ao contrário, afirma a possibilidade de ocorrência de determinação sem relação. O reverso estrito do atomismo não é propriamente o holismo, mas o holismo forte, a defesa de uma ontologia de relações puras.

O atomismo torna impossível a individuação: como pensar o átomo ontológico sem diferenciá-lo de – e assim relacioná-lo com – qualquer outra coisa? Por sua vez, como pensar a pura relação, que liga nada a nada, defendida pelo holismo forte?

Ambas as posições são insustentáveis e devem ser lidas, no contexto do holismo dialético (holismo moderado), como versões extremas da dialética do Uno e do Múltiplo que, uma vez consumadas, se perdem na incoerência e revertem no seu contrário. Para o  jogo desta reversão, cf. E. Luft (2010) e E.Luft/C. Cirne-Lima (2012, pp. 199ss e 307ss).

Para a crítica do holismo forte em semântica, cf. R. Brandom (2007, p.54).
Para uma tentativa de viabilizar uma versão de holismo forte em ontologia a partir da teoria de grafos, cf. Dipert (1997). Todavia, grafos são configurações abstratas, quer dizer, abstraídas de – e, assim, condicionadas por – configurações concretas, inseridas no tempo, ou redes, que constituem a trama da verdadeira ontologia.

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