Notas de Aula

Ideia da Coerência… O que vem a ser?

Em primeiro lugar, uma ideia, um padrão ou forma que, segundo Platão, é o modo de ser mais próprio ou verdadeiro de tudo o que há.


Ou o que Hegel chamava de “conceito efetivo”, procurando assim explicar como aquela forma platônica, de início ainda meramente ideal ou abstrata, pode ser tratada também como o modo de organização concreto deste vasto mundo que nos cerca.

Até aqui continuamos a seguir Hegel, em sua radicalização da abordagem platônica. Mas o que vem a ser coerência?
É comum associar este conceito com o de ‘ordem’. Um pensamento coerente é concebido, por exemplo, como um “pensamento bem ordenado”, um pensamento configurado de acordo com as regras gramaticais e, ainda mais rigorosamente, com as regras da lógica formal. Um pensamento consistente, em resumo.

Mas não é o que a etimologia sugere. Claro, nem sempre podemos confiar na etimologia, mas ela pode ser e é um recurso legítimo quando exploramos antigas vertentes de pensamento que, contrastando com as suposições cristalizadas no presente, dão guarida a novos horizontes de sentido.
A etimologia alude a um significado mais amplo para ‘coerência’. O termo vem do latim: ‘cohaerentia’ significa “união, ligação, proporção das partes com o todo”, enfim, relação.

Os modos de relação entre os existentes ou eventos são os modos da coerência, e nada nos diz que sua manifestação se dê apenas como ordem.
Pelo contrário, e isto nos levará firmemente para além dos marcos do platonismo e do hegelianismo: a coerência pode se dar nos extremos do máximo predomínio do caos ou no predomínio máximo da ordem.

Padrão