Notas de Aula

Dialética ascendente e descendente são excludentes?

Uma dúvida exposta em aula…

…haveria uma incompatibilidade entre a ideia de que a filosofia não está fora das ciências, mas inere a elas – indicando que poderíamos buscá-la seguindo um movimento do topo para a base da pirâmide das ciências, da ontologia geral para as ontologias regionais -, e a afirmação de que a filosofia busca o universal – indicando o movimento inverso.

1) Este é de fato o caso na maior parte das vezes: o movimento do universal para o particular (dialética descendente) e o movimento inverso (dialética ascendente) são excludentes. Quanto menos universal o fenômeno investigado, menor sua relevância filosófica.

Mas para a dialética, quando bem pensados, estes movimentos podem coincidir. Pensem no fenômeno da autossimilaridade que encontramos nos fractais (cf. video abaixo): o padrão global é repetido nas partes. Nesse sentido, se buscarmos com cuidado, encontraremos na menor das partes a mesma estrutura do todo. Assim, dialética ascendente e descendente coincidem.

Ao padrão ou lei universalíssima, que pervade todos os níveis ontológicos, Platão e Hegel chamavam de Ideia ou, como prefiro, seguindo uma abordagem deflacionária em Ontologia, a Ideia da Coerência.

2) O conceito de coincidência dos opostos é de Nicolau de Cusa, pensador dialético da Idade Média tardia que influenciou Bertalanffy, o criador da teoria de sistemas. Sistemas são, assim penso eu, casos de redes. Daí o vínculo entre dialética e teoria de redes e por que defendo uma ontologia de redes.
Há uma bela introdução à teoria de redes feita por Barabási.

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