Fragmentos

Destruíram o ‘público’ quando confundiram público com estatal. O primeiro é sustentado pelas pessoas, o segundo controlado por políticos.

Mykonos

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Notas de Aula

A gente observa a aproximação profundamente antiética ao problema da política pela esquerda liberticida, à beira da autodissolução, e se pergunta qual a sua raiz.

Pois bem, a raiz algo longínqua, ainda na origem da modernidade, é o espinosismo (mais do que o maquiavelismo), e sua identificação crua entre direito e poder.

A raiz próxima, em seqüência ao colapso do marxismo, é a dialética negativa, a dissolução da substância única em totalidades fragmentadas e dissipativas, quer dizer, a dissolução do espinosismo em niilismo.

Este processo de decadência tem duas fases: 1) Indiferença à liberdade (à abertura da coerência a seus múltiplos modos); 2) indiferença à própria coerência.

As pessoas, que não são bobas, sentem na própria pele o veneno do niilismo, e se lançam de braços abertos aos políticos de “direita”.

Não me parece ser um processo de curto prazo. Que venha com ele o colapso da própria briguinha infantil entre “esquerda” e “direita” e desapareça de vez o fantasma caquético da revolução francesa.

Trancoso

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Fragmentos

Democracia pode significar o poder do povo ou o poder das pessoas. Um sentido é o reverso do outro.

É a diferença entre uma visão holista e outra estritamente relacional ou dialética em ontologia social. A primeira versão é compatível com uma visão liberticida, a segunda não.

El Calafate

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Fragmentos

Sem a pressuposição do tempo é impossível entrar na Lógica de Hegel, com esta pressuposição não é possível permanecer nela.


Parafraseando o dito de Jacobi sobre a coisa-em-si em Kant.


Comentário


O idealismo evolutivo coincide com o idealismo objetivo na tese da identidade entre ser e pensar (em sua estrutura lógica), mas se afasta deste na negação do dualismo entre a esfera lógica e a esfera real (pense no dualismo entre sensível e inteligível em Platão ou no dualismo entre Lógica e Filosofia do Real em Hegel).

A presença incontornável do tempo é o fator que faz reverter o idealismo objetivo em idealismo evolutivo, desfazendo a suposta autonomia da esfera lógica, e permitindo reconciliar a dialética consigo mesma.

Sem tempo, não há movimento. Sem movimento, não há dialética.

Nesse sentido, o tempo cumpre em ontologia a mesma função da dúvida em epistemologia.

O tempo e a dúvida fazem convergir a ontologia relacional deflacionária (idealismo evolutivo) e o falibilismo generalizado ou irrestrito.

Puerto Varas

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Poemas

Os pensamentos passam em mim

Seguindo as garças

E o catamarã.

El Calafate

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